Emprego militar

Os Feitos de Thomas Sankara

2020.10.16 00:36 DIOgenes_123 Os Feitos de Thomas Sankara

  1. Ele vacinou 2,5 milhões de crianças contra meningite, febre amarela e sarampo em questão de semanas
  2. Ele iniciou uma campanha nacional de alfabetização, aumentando a taxa de alfabetização de 13% em 1983 para 73% em 1987.
  3. Ele plantou mais de 10 milhões de árvores para prevenir a desertificação
  4. ⁠ Ele construiu estradas e uma ferrovia para unir a nação, sem ajuda estrangeira
  5. ⁠ Ele nomeou mulheres para altos cargos governamentais, encorajou-as a trabalhar, recrutou-as para o serviço militar e concedeu licença-gravidez durante os estudos
    1. ⁠ Ele proibiu a mutilação genital feminina, os casamentos forçados e a poligamia em apoio aos direitos das mulheres
    2. ⁠Ele vendeu a frota do governo de carros Mercedes e fez do Renault 5 (o carro mais barato vendido em Burkina Faso na época) o carro de serviço oficial dos ministros.
    3. ⁠Reduziu os salários de todos os servidores públicos, inclusive os seus, e proibiu o uso de motoristas do governo e passagens aéreas de 1ª classe.
    4. Ele redistribuiu as terras dos proprietários feudais e as deu diretamente aos camponeses. A produção de trigo aumentou em três anos de 1.700 kg por hectare para 3.800 kg por hectare, tornando o país autossuficiente em alimentos
    E de novo 10. Ele se opôs à ajuda externa, dizendo que “quem te alimenta, te controla”. 11. Ele falou em fóruns como a Organização da Unidade Africana contra a penetração neocolonialista contínua da África através do comércio e finanças ocidentais. 12. Ele apelou a uma frente única das nações africanas para repudiar a sua dívida externa. Ele argumentou que os pobres e explorados não tinham a obrigação de devolver dinheiro aos ricos e exploradores. Em Ouagadougou, Sankara converteu a loja de abastecimento do exército em um supermercado estatal aberto a todos (o primeiro supermercado do país). 13. Ele forçou os funcionários públicos a pagar o salário de um mês para projetos públicos.) 14. Ele se recusou a usar o ar condicionado em seu escritório, alegando que tal luxo só estava disponível para um punhado de burkinabes 15. Como presidente, ele reduziu seu salário para US $ 450 por mês e limitou seus bens a um carro, quatro bicicletas, três guitarras, uma geladeira e um freezer quebrado 16. Ele próprio um motociclista, ele formou uma guarda pessoal de motociclistas só para mulheres. 17. Ele exigia que os funcionários públicos vestissem uma túnica tradicional, tecida com algodão burkinabe e costurada por artesãos burquinenses. (A razão é se apoiar na indústria e identidade locais, em vez da indústria e identidade estrangeiras) 18. Quando questionado por que ele não queria que seu retrato fosse pendurado em lugares públicos, como era a norma para outros líderes africanos, Sankara respondeu: "Há sete milhões de Thomas Sankaras." 19. Um guitarrista talentoso, ele escreveu o novo hino nacional sozinho 20. Ele renomeou seu país do depreciativo "Alto volta" para "Burkina Faso, a terra de homens íntegros" 21. Sua política externa estava centrada no anti-imperialismo, com seu governo evitando toda ajuda externa, pressionando por uma redução da dívida, nacionalizando todas as terras e riquezas minerais e evitando o poder e a influência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. 22. A administração de Sankara foi o primeiro governo africano a reconhecer publicamente a epidemia de AIDS como uma grande ameaça à África 23. Projetos de infraestrutura e habitação em grande escala também foram realizados. Fábricas de tijolos foram criadas para ajudar a construir casas em um esforço para acabar com as favelas urbanas 24. Em Ouagadougou, Sankara converteu a loja de abastecimento do exército em um supermercado estatal aberto a todos (o primeiro supermercado do país)
    Ele liderou um dos programas mais ambiciosos de reformas radicais já vistos na África. Ele procurou reverter fundamentalmente as desigualdades sociais estruturais herdadas da ordem colonial francesa.
    Essas desigualdades deixaram uma maioria de marginalizados, principalmente rurais, pobres e mulheres, na base da sociedade, muitas vezes sob a exploração de uma minoria de burocratas, empresários, militares e chefes tradicionais. Sankara concentrou os recursos limitados do estado na maioria marginalizada do campo. Quando a maioria dos países africanos dependia de alimentos importados e assistência externa para o desenvolvimento, Sankara defendeu a produção local e o consumo de produtos feitos localmente. Ele acreditava firmemente que era possível para os burquinenses, com muito trabalho e mobilização social coletiva, resolver seus problemas: principalmente a escassez de alimentos e água potável. No Burkina de Sankara, ninguém estava acima do trabalho agrícola ou das estradas de cascalho - nem mesmo o presidente, ministros do governo ou oficiais do exército. A educação intelectual e cívica foi sistematicamente integrada ao treinamento militar e os soldados foram obrigados a trabalhar em projetos de desenvolvimento da comunidade local.
    De acordo com Ernest Harsch, autor de uma biografia recente de Sankara, Burkinabe construiu pela primeira vez dezenas de escolas, centros de saúde, reservatórios de água e quase 100 km de ferrovia, com pouca ou nenhuma ajuda externa. A produção total de cereais aumentou 75% entre 1983 e 1986. Em 1984, seu governo, desafiando o ceticismo das agências doadoras, organizou a vacinação de 2 milhões de crianças em pouco mais de duas semanas. Ele também defendeu a preservação ambiental com campanhas de plantio de árvores e projetos de verde.
    Seu estilo informal de liderança estava em uma categoria própria. Harsch cita um ex-assessor que descreve Sankara como “um idealista, exigente, rigoroso, um organizador”. Essa disciplina e seriedade começaram com ele mesmo. Ele havia sido o primeiro entre os principais líderes a declarar voluntariamente seus modestos bens e entregar ao tesouro dinheiro e presentes recebidos durante as viagens. Harsch cita familiares que disseram que Sankara disse a eles para não esperar nenhum benefício dele porque ele é o presidente. Na verdade, na época de sua morte, seus filhos frequentavam a mesma escola pública, sua esposa estava subordinada ao mesmo emprego de funcionário público e seus pais moravam na mesma casa.
    Sankara desdenhou a pompa formal e baniu qualquer culto à sua personalidade. Ele podia ser visto casualmente andando pelas ruas, correndo ou deslizando visivelmente no meio da multidão em um evento público. Ele era um orador entusiasmado que falava com franqueza e clareza incomuns e não hesitava em admitir erros publicamente, castigar camaradas ou expressar objeções morais a chefes de nações poderosas, mesmo que isso o colocasse em perigo. Por exemplo, ele criticou o presidente francês François Mitterand durante um jantar oficial por receber o líder do Apartheid na África do Sul.
    Livros de Sankara:
    Somos os herdeiros da revolução mundial
    A libertação das mulheres e a luta pela liberdade africana
    Thomas Sankara fala
    Uma citação do livro - "Nosso país produz o suficiente para alimentar todos nós. Infelizmente, por falta de organização, somos forçados a implorar por ajuda alimentar. É essa ajuda que instila em nossos espíritos a atitude de mendigos." -Thomas Sankara
    “A revolução e a libertação das mulheres caminham juntas. Não falamos da emancipação das mulheres como um ato de caridade ou por causa de uma onda de compaixão humana. É uma necessidade básica para o triunfo da revolução. As mulheres sustentam a outra metade da céu. "- Thomas Sankara.
    Sankara é frequentemente referido como "Che Guevara da África". Sankara fez um discurso marcando e homenageando o 20º aniversário da execução de Che Guevara em 9 de outubro de 1967, uma semana antes de seu próprio assassinato em 15 de outubro de 1987
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2020.10.10 00:31 Mr_Libertarian A fraude chamada ‘estado’

Por: Hans-Hermann Hoppe
Murray Rothbard certa vez descreveu o estado como uma gangue de ladrões em larga escala. E se você observar bem verá que há um vasto esforço de propaganda feito pelo estado e por aqueles em sua folha de pagamento — ou por aqueles que gostariam de estar em sua folha de pagamento — para nos convencer de que é perfeitamente legítimo que uma organização essencialmente parasítica viva à nossa custa mantendo um alto padrão de vida, que ela nos mate (com sua polícia despreparada), que ela nos roube com seus impostos, que ela nos convoque compulsoriamente para o serviço militar e que ela controle totalmente nosso modo de vida.
A motivação fundamental daqueles que defendem o estado é saber que, uma vez na máquina pública, eles terão acesso a gordos salários, empregos estáveis e uma aposentadoria integral. Aqueles que estão fora do serviço público defendem o estado por saber que ele lhes dará vantagens em qualquer barganha sindical. Além desses cidadãos, há também empresários que defendem o estado. Estes estão pensando em subsídios e garantias governamentais, em contratos polpudos para obras públicas, em protecionismo, em regulações que afastem a concorrência, e no uso geral do governo para alimentar seus amigos e enfraquecer seus concorrentes. O estado, para eles, é garantia de riqueza.
Em todo e qualquer lugar, o estado sempre se resume a ganhar à custa de outros. Não houve qualquer avanço nessa realidade. Podemos mudar as definições e alegar que, porque votamos, estamos nos governando a nós mesmos. Mas isso não altera a essência do problema moral do estado: tudo que ele tem, ele adquire através do roubo. Nem um centavo do seu orçamento bilionário (trilionário, no caso dos EUA) é adquirido em trocas voluntárias.
Governos dilatados dividem a sociedade em duas castas: aqueles que dão compulsoriamente seu dinheiro para o estado e aqueles que ganham dinheiro do estado. Para manter o sistema funcionando, aqueles que dão têm de ser numericamente muito superiores àqueles que recebem. Foi assim nos primórdios do estado-nação e ainda o é atualmente. A existência de eleições não altera em nada a essência dessa operação.
Nos EUA, quando lemos os documentos escritos pelos pais fundadores, notamos uma grande preocupação em relação a facções. Por facções, os fundadores se referiam a grupos de pessoas em guerra entre si para decidir quem iria ter controle sobre o bolso da população. A solução para esse problema não foi abolir diferenças de opinião, mas, sim, manter o governo em um tamanho mínimo, de forma que as vantagens de se ganhar o poder fossem pequenas. Você limita o poder de uma facção limitando o tamanho do governo. Todos os mecanismos criados pelos pais fundadores — a separação de poderes, o colégio eleitoral, a Declaração de Direitos — foram instituídos como meios de se atingir esse objetivo.
Mas como foi que toda a distorção ocorreu? Como foi que os seres humanos permitiram que o estado atual existisse? Como passamos a permitir que ele nos governe dessa maneira despótica? E por que há alguns que o amam e até mesmo se inclinam perante ele, tomados por um sentimento quase religioso em relação a ele? Bem, se você pensar no argumento central a favor do estado verá que é muito fácil perceber um erro fundamental na sua concepção; e verá que é realmente um milagre que o estado tenha surgido. O argumento a favor da existência do estado é simplesmente este: há escassez de recursos no mundo, e por causa dessa escassez há a possibilidades de conflitos entre diferentes grupos de pessoas. O que fazer com esses conflitos que podem surgir? Como garantir a paz entre as pessoas?
A proposta feita por estatistas, desde Thomas Hobbes até o presente, é a que segue: como há conflitos constantes ocorrendo, os contratos feitos entre vários indivíduos não serão suficientes. Por isso, precisamos de um tomador de decisão supremo que seja capaz de decidir quem está certo e quem está errado em cada caso de conflito. E esse tomador de decisão supremo em um dado território, essa instituição que tem o monopólio da decisão em um dado território, é definido como sendo o estado.
A falácia dessa argumentação se torna aparente quando você percebe que, se existe uma instituição que tenha o monopólio da tomada suprema de decisões para todos os casos de conflito, então consequentemente essa instituição também vai definir quem está certo e quem está errado em casos de conflito nos quais essa mesma instituição esteja envolvida. Ou seja, ela não é apenas uma instituição que decide quem está certo ou errado em conflitos que eu tenha com terceiros, mas ela também é a instituição que vai decidir quem está certo ou errado em casos em que ela própria está envolvida em conflitos com outros.
Uma vez que você percebe isso, então se torna imediatamente claro que tal instituição pode por si mesma provocar conflitos para, então, decidir a seu favor quem está certo e quem está errado. Isso pode ser exemplificado particularmente por instituições como o Supremo Tribunal Federal. Se um indivíduo tiver algum conflito com uma entidade governamental, o tomador supremo da decisão — aquele que vai decidir se quem está certo é o estado ou o indivíduo — será o Supremo Tribunal, que nada mais é do que o núcleo da mesma instituição com a qual esse indivíduo está em conflito. Assim, é claro, será fácil prever qual será o resultado da arbitração desse conflito: o estado está certo e o indivíduo que o acusa está errado.
Essa é a receita para se aumentar continuamente o poder dessa instituição: provocar conflitos para, então, decidir a favor de si mesma, e depois dizer ao povo que reclama do estado o quanto eles devem pagar por esses julgamentos feitos pelo próprio estado. É fácil, então, perceber a falácia fundamental presente na construção de uma instituição como o estado.
E como temos visto uma aparentemente irrefreável expansão do poder do estado em absolutamente todos os países do mundo, é válido perguntar: há alguma esperança? O estado é de fato uma instituição tão poderosa contra a qual nada pode ser feito? Há alguma maneira de se opor a ele?
A primeira coisa a ser feita para se opor ao estado deve ser, é claro, compreender a sua natureza íntima. Por exemplo, é curioso que economistas, em todas as outras áreas da economia, se oponham a monopólios e sejam a favor da concorrência. (Eles se opõem a monopólios porque, do ponto de vista do consumidor, monopolistas são instituições que produzem a custos mais altos do que o custo mínimo e entregam um produto mais caro e cuja qualidade é menor do que seria em um ambiente concorrencial. Eles consideram a concorrência como algo bom para o consumidor porque empresas concorrentes estão constantemente se esforçando para diminuir seus custos de produção para poder passar esses custos mais baixos em forma de preços menores aos consumidores e, assim, superarem suas concorrentes. Além, é claro, de terem de produzir produtos com a maior qualidade possível sob estas circunstâncias). Entretanto, quando se trata da questão mais importante para a vida a humana — a saber, a proteção da vida e da propriedade — quase todos os economistas são a favor de haver um monopolista fornecendo esses serviços. Eles parecem imaginar que o argumento da concorrência não mais é válido. Eles parecem não entender que um monopólio desses serviços vai requerer gastos muito maiores e, da mesma maneira, a qualidade do produto — nesse caso lei, ordem e justiça — será menor.
Portanto, para iniciar qualquer tipo de recuo do estado temos de compreender claramente sua natureza íntima de monopolista e discernir os efeitos negativos que monopólios têm sobre todos os estratos da vida, particularmente na área da lei e da ordem. O que podemos desejar, na melhor das hipóteses — caso não consigamos abolir o estado —, é que o número de estados concorrenciais seja grande o suficiente. Um grande número de estados não permite que cada estado em particular aumente facilmente os impostos e as regulamentações porque as pessoas iriam, nesse caso, “votar com seus pés”, isto é, iriam mudar de estados (mudar de país). A situação mais perigosa concebível é aquela em que um governo mundial iria impor os mesmos impostos e as mesmas regulamentações em uma escala mundial, acabando com todos os incentivos para que as pessoas se mudem de um país para outro, pois a estrutura dos impostos e das regulamentações seria a mesma em todos os lugares.
Por outro lado, imagine uma situação em que houvesse dezenas de milhares de Suíças, Liechtensteins, Mônacos, Hong Kongs e Cingapuras. Nesse caso, ainda que cada estado quisesse aumentar impostos e regulamentações, eles simplesmente não lograriam êxito porque haveria repercussões imediatas — ou seja, as pessoas iriam se mudar das localizações menos favoráveis para aquelas mais favoráveis.
Quando pensamos em pensadores como Étienne de La Boétie, Hume, Mises, Rothbard etc., vemos que todos eles diziam que, por mais inexpugnável que o estado pareça, com todos os seus exércitos, com seu vasto número de empregados e com seu vasto aparelho de propaganda, ele na verdade é vulnerável porque, sendo o estado uma minoria que vive parasiticamente à custa de uma maioria, ele depende do consentimento do governado. Mesmo os estados mais poderosos — como, por exemplo, aqueles que vimos na URSS, no Irã sob o xá, e na Índia sob domínio britânico — podem se esfacelar. E essa ainda é uma esperança.
Novamente, a idéia é a seguinte: o presidente pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser aceita e executada por um general; o general pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser executada pelo tenente; o tenente pode dar a ordem, mas a ordem tem de ser executada em última instância pelos soldados, que são aqueles que terão de atirar. E se eles não atirarem, então tudo aquilo que o presidente — ou o supremo comandante — ordena passa a não ter qualquer efeito. Assim, o estado somente pode efetuar suas políticas se as pessoas lhe derem seu consentimento voluntário. Elas podem não concordar com tudo que o estado faça e/ou ordene que outros façam, mas, enquanto elas colaborarem, serão obviamente da opinião de que o estado é uma instituição necessária, e os pequenos erros que esta instituição cometa são apenas o preço necessário a ser pago para se manter a excelência do que quer que ela produza. Quando essa ilusão desaparecer, quando as pessoas entenderem que o estado nada mais é do que uma instituição parasítica, quando elas não mais obedecerem às ordens emitidas por essa instituição, todos os poderes estatais, mesmo o do mais poderoso déspota, desaparecerão imediatamente.
Mas para que isso seja possível, primeiro é necessário que as pessoas desenvolvam aquilo que podemos chamar de ‘consciência de classe’, não no sentido marxista — que diz que há um conflito entre patrões e empregados —, mas no sentido de um conflito de classes que opõe, de um lado, os regentes estatais, ou a classe dominante, e do outro lado, aqueles que estão sob o domínio do estado. Portanto, o estado tem de ser visto como um explorador, uma instituição parasítica. Só quando tivermos desenvolvido uma consciência de classe desse tipo é que haverá a esperança de que o estado, justamente por causa da difusão geral desse conceito, possa entrar em colapso.
Finalmente, o ponto de vista de Hobbes é interessante. Uma das coisas que mais ameaça o estado é o humor e a risada. O estado presume que você deve respeitá-lo, que você deve levá-lo muito a sério. Hobbes dizia que era algo muito perigoso o fato de as pessoas rirem do governo. Portanto, tente sempre seguir a seguinte regra: ria e zombe do governo o máximo possível.
A fraude chamada ‘estado’
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2020.10.09 20:51 Mr_Libertarian A fraude chamada ‘estado’

Por: Hans-Hermann Hoppe
Murray Rothbard certa vez descreveu o estado como uma gangue de ladrões em larga escala. E se você observar bem verá que há um vasto esforço de propaganda feito pelo estado e por aqueles em sua folha de pagamento — ou por aqueles que gostariam de estar em sua folha de pagamento — para nos convencer de que é perfeitamente legítimo que uma organização essencialmente parasítica viva à nossa custa mantendo um alto padrão de vida, que ela nos mate (com sua polícia despreparada), que ela nos roube com seus impostos, que ela nos convoque compulsoriamente para o serviço militar e que ela controle totalmente nosso modo de vida.
A motivação fundamental daqueles que defendem o estado é saber que, uma vez na máquina pública, eles terão acesso a gordos salários, empregos estáveis e uma aposentadoria integral. Aqueles que estão fora do serviço público defendem o estado por saber que ele lhes dará vantagens em qualquer barganha sindical. Além desses cidadãos, há também empresários que defendem o estado. Estes estão pensando em subsídios e garantias governamentais, em contratos polpudos para obras públicas, em protecionismo, em regulações que afastem a concorrência, e no uso geral do governo para alimentar seus amigos e enfraquecer seus concorrentes. O estado, para eles, é garantia de riqueza.
Em todo e qualquer lugar, o estado sempre se resume a ganhar à custa de outros. Não houve qualquer avanço nessa realidade. Podemos mudar as definições e alegar que, porque votamos, estamos nos governando a nós mesmos. Mas isso não altera a essência do problema moral do estado: tudo que ele tem, ele adquire através do roubo. Nem um centavo do seu orçamento bilionário (trilionário, no caso dos EUA) é adquirido em trocas voluntárias.
Governos dilatados dividem a sociedade em duas castas: aqueles que dão compulsoriamente seu dinheiro para o estado e aqueles que ganham dinheiro do estado. Para manter o sistema funcionando, aqueles que dão têm de ser numericamente muito superiores àqueles que recebem. Foi assim nos primórdios do estado-nação e ainda o é atualmente. A existência de eleições não altera em nada a essência dessa operação.
Nos EUA, quando lemos os documentos escritos pelos pais fundadores, notamos uma grande preocupação em relação a facções. Por facções, os fundadores se referiam a grupos de pessoas em guerra entre si para decidir quem iria ter controle sobre o bolso da população. A solução para esse problema não foi abolir diferenças de opinião, mas, sim, manter o governo em um tamanho mínimo, de forma que as vantagens de se ganhar o poder fossem pequenas. Você limita o poder de uma facção limitando o tamanho do governo. Todos os mecanismos criados pelos pais fundadores — a separação de poderes, o colégio eleitoral, a Declaração de Direitos — foram instituídos como meios de se atingir esse objetivo.
Mas como foi que toda a distorção ocorreu? Como foi que os seres humanos permitiram que o estado atual existisse? Como passamos a permitir que ele nos governe dessa maneira despótica? E por que há alguns que o amam e até mesmo se inclinam perante ele, tomados por um sentimento quase religioso em relação a ele? Bem, se você pensar no argumento central a favor do estado verá que é muito fácil perceber um erro fundamental na sua concepção; e verá que é realmente um milagre que o estado tenha surgido. O argumento a favor da existência do estado é simplesmente este: há escassez de recursos no mundo, e por causa dessa escassez há a possibilidades de conflitos entre diferentes grupos de pessoas. O que fazer com esses conflitos que podem surgir? Como garantir a paz entre as pessoas?
A proposta feita por estatistas, desde Thomas Hobbes até o presente, é a que segue: como há conflitos constantes ocorrendo, os contratos feitos entre vários indivíduos não serão suficientes. Por isso, precisamos de um tomador de decisão supremo que seja capaz de decidir quem está certo e quem está errado em cada caso de conflito. E esse tomador de decisão supremo em um dado território, essa instituição que tem o monopólio da decisão em um dado território, é definido como sendo o estado.
A falácia dessa argumentação se torna aparente quando você percebe que, se existe uma instituição que tenha o monopólio da tomada suprema de decisões para todos os casos de conflito, então consequentemente essa instituição também vai definir quem está certo e quem está errado em casos de conflito nos quais essa mesma instituição esteja envolvida. Ou seja, ela não é apenas uma instituição que decide quem está certo ou errado em conflitos que eu tenha com terceiros, mas ela também é a instituição que vai decidir quem está certo ou errado em casos em que ela própria está envolvida em conflitos com outros.
Uma vez que você percebe isso, então se torna imediatamente claro que tal instituição pode por si mesma provocar conflitos para, então, decidir a seu favor quem está certo e quem está errado. Isso pode ser exemplificado particularmente por instituições como o Supremo Tribunal Federal. Se um indivíduo tiver algum conflito com uma entidade governamental, o tomador supremo da decisão — aquele que vai decidir se quem está certo é o estado ou o indivíduo — será o Supremo Tribunal, que nada mais é do que o núcleo da mesma instituição com a qual esse indivíduo está em conflito. Assim, é claro, será fácil prever qual será o resultado da arbitração desse conflito: o estado está certo e o indivíduo que o acusa está errado.
Essa é a receita para se aumentar continuamente o poder dessa instituição: provocar conflitos para, então, decidir a favor de si mesma, e depois dizer ao povo que reclama do estado o quanto eles devem pagar por esses julgamentos feitos pelo próprio estado. É fácil, então, perceber a falácia fundamental presente na construção de uma instituição como o estado.
E como temos visto uma aparentemente irrefreável expansão do poder do estado em absolutamente todos os países do mundo, é válido perguntar: há alguma esperança? O estado é de fato uma instituição tão poderosa contra a qual nada pode ser feito? Há alguma maneira de se opor a ele?
A primeira coisa a ser feita para se opor ao estado deve ser, é claro, compreender a sua natureza íntima. Por exemplo, é curioso que economistas, em todas as outras áreas da economia, se oponham a monopólios e sejam a favor da concorrência. (Eles se opõem a monopólios porque, do ponto de vista do consumidor, monopolistas são instituições que produzem a custos mais altos do que o custo mínimo e entregam um produto mais caro e cuja qualidade é menor do que seria em um ambiente concorrencial. Eles consideram a concorrência como algo bom para o consumidor porque empresas concorrentes estão constantemente se esforçando para diminuir seus custos de produção para poder passar esses custos mais baixos em forma de preços menores aos consumidores e, assim, superarem suas concorrentes. Além, é claro, de terem de produzir produtos com a maior qualidade possível sob estas circunstâncias). Entretanto, quando se trata da questão mais importante para a vida a humana — a saber, a proteção da vida e da propriedade — quase todos os economistas são a favor de haver um monopolista fornecendo esses serviços. Eles parecem imaginar que o argumento da concorrência não mais é válido. Eles parecem não entender que um monopólio desses serviços vai requerer gastos muito maiores e, da mesma maneira, a qualidade do produto — nesse caso lei, ordem e justiça — será menor.
Portanto, para iniciar qualquer tipo de recuo do estado temos de compreender claramente sua natureza íntima de monopolista e discernir os efeitos negativos que monopólios têm sobre todos os estratos da vida, particularmente na área da lei e da ordem. O que podemos desejar, na melhor das hipóteses — caso não consigamos abolir o estado —, é que o número de estados concorrenciais seja grande o suficiente. Um grande número de estados não permite que cada estado em particular aumente facilmente os impostos e as regulamentações porque as pessoas iriam, nesse caso, “votar com seus pés”, isto é, iriam mudar de estados (mudar de país). A situação mais perigosa concebível é aquela em que um governo mundial iria impor os mesmos impostos e as mesmas regulamentações em uma escala mundial, acabando com todos os incentivos para que as pessoas se mudem de um país para outro, pois a estrutura dos impostos e das regulamentações seria a mesma em todos os lugares.
Por outro lado, imagine uma situação em que houvesse dezenas de milhares de Suíças, Liechtensteins, Mônacos, Hong Kongs e Cingapuras. Nesse caso, ainda que cada estado quisesse aumentar impostos e regulamentações, eles simplesmente não lograriam êxito porque haveria repercussões imediatas — ou seja, as pessoas iriam se mudar das localizações menos favoráveis para aquelas mais favoráveis.
Quando pensamos em pensadores como Étienne de La Boétie, Hume, Mises, Rothbard etc., vemos que todos eles diziam que, por mais inexpugnável que o estado pareça, com todos os seus exércitos, com seu vasto número de empregados e com seu vasto aparelho de propaganda, ele na verdade é vulnerável porque, sendo o estado uma minoria que vive parasiticamente à custa de uma maioria, ele depende do consentimento do governado. Mesmo os estados mais poderosos — como, por exemplo, aqueles que vimos na URSS, no Irã sob o xá, e na Índia sob domínio britânico — podem se esfacelar. E essa ainda é uma esperança.
Novamente, a idéia é a seguinte: o presidente pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser aceita e executada por um general; o general pode dar uma ordem, mas a ordem tem de ser executada pelo tenente; o tenente pode dar a ordem, mas a ordem tem de ser executada em última instância pelos soldados, que são aqueles que terão de atirar. E se eles não atirarem, então tudo aquilo que o presidente — ou o supremo comandante — ordena passa a não ter qualquer efeito. Assim, o estado somente pode efetuar suas políticas se as pessoas lhe derem seu consentimento voluntário. Elas podem não concordar com tudo que o estado faça e/ou ordene que outros façam, mas, enquanto elas colaborarem, serão obviamente da opinião de que o estado é uma instituição necessária, e os pequenos erros que esta instituição cometa são apenas o preço necessário a ser pago para se manter a excelência do que quer que ela produza. Quando essa ilusão desaparecer, quando as pessoas entenderem que o estado nada mais é do que uma instituição parasítica, quando elas não mais obedecerem às ordens emitidas por essa instituição, todos os poderes estatais, mesmo o do mais poderoso déspota, desaparecerão imediatamente.
Mas para que isso seja possível, primeiro é necessário que as pessoas desenvolvam aquilo que podemos chamar de ‘consciência de classe’, não no sentido marxista — que diz que há um conflito entre patrões e empregados —, mas no sentido de um conflito de classes que opõe, de um lado, os regentes estatais, ou a classe dominante, e do outro lado, aqueles que estão sob o domínio do estado. Portanto, o estado tem de ser visto como um explorador, uma instituição parasítica. Só quando tivermos desenvolvido uma consciência de classe desse tipo é que haverá a esperança de que o estado, justamente por causa da difusão geral desse conceito, possa entrar em colapso.
Finalmente, o ponto de vista de Hobbes é interessante. Uma das coisas que mais ameaça o estado é o humor e a risada. O estado presume que você deve respeitá-lo, que você deve levá-lo muito a sério. Hobbes dizia que era algo muito perigoso o fato de as pessoas rirem do governo. Portanto, tente sempre seguir a seguinte regra: ria e zombe do governo o máximo possível.
A fraude chamada ‘estado’
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2020.10.08 17:49 Lacerda99 Emprego novo/dúvidas sobre documentos

Consegui um emprego novo e estou muito feliz. Porém estou sem rg e cpf (cpf nunca tive o cartão sempre usei na carteira de trabalho e rg)... A empresa esta pedindo pra levar cpf, rg, comprovante de residência, carteira de trabalho, sus, dispensa militar e histórico escolar... Pelo fato de eu não possuir rg posso usar a carteira como documento e explicar na hora? Ja mandei fazer um novo, porem o tempo de espera e de 15 dias
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2020.10.03 07:01 Felipe_Silva_ As vezes eu sinto raiva de militar, alias da "fandom" militar, eu vou tentar explicar, então tentem ouvir bem.

Antes de mais nada, eu repeito todo e qualquer emprego, gari, militar, cozinheiro, CEO, todos empregos e serviços nobres e eu reconheço isso, em especial, os militares que são responsáveis por nossa segurança e os brasileiros fizeram muito bem nas 2a guerra.
Mas sla veio, eu sinto que muitos militares, juro que não to generalizando, mas pelo menos uma boa porcentagem é bem arrogante, é meio dificil de explicar, mas como no brasil o serviço obrigatorio, eu vejo que muitos que foram chamados se acham mais elevados do que os que foram dispensados ou que queriam ser dispensados.
É o tipo de cara que fica na internet babando ovo de politico, falando como essa geração é mimizenta (só pra ficar todo putinho quando alguem faz piada do bolsonaro ou alguma elite militar ai), é bom você ter orgulho do que faz, do seu país, isso é muito positivo, mas com humildade sabe, onde eu moro pelo menos, muitos deles são bem arrogantes, se cham melhor por viverem em ambiente de respeito(a pesar de desrespeitarem geral).
Não sei qual exatamente é meu intuito com esse post, na verdade acho que falei umas merdas ate e que não me expressei bem, queria saber a visão de vocês sobre essa "fandom".
Alias, eu sei que esse tipo de argumento é muito utilizado pra mascarar preconceitos(deus me livre, não é o caso), mas eu tenho muitos amigos super legais nessa area militar (uma delas sendo minha ex ate).
Novamente, desculpe se fui desrespeitoso em algum momento.
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2020.09.25 19:35 ssantorini Guia para dummies de como obter e manter o poder ditadorial (Parte 1)

Muita gente irá pedir fontes do que irei descrever aqui. Não é possível citá-las, porque o que descreverei se baseia em senso comum obtido a partir de vários locais. Mas para dar uma situada em quem quiser se aprofundar mais, enumerarei as principais inspirações para o que tentarei descrever aqui:
- O Príncipe, de Maquiavel
- A história de Roma, principalmente a de Júlio César e suas imitações fictícias, como a de Palpatine.
- O "Princípio de Pareto", 1984, Espírito das Leis de Montesquieu, A Sociedade Aberta e Seus Inimigos de Karl Popper.
PRINCÍPIOS BÁSICOS
1- Ninguém é capaz de controlar a mente alheia igual o Professor Xavier, logo é necessário APOIO de terceiros para conseguir obter e manter o poder. Nenhum poder é exercido do nada ou surge do vácuo, ele só existe devido ao APOIO que o governante tem da maioria ou dos grupos que, embora não sejam a maioria numérica, são os mais fortes militarmente.
2- Não é necessário controlar TODAS AS PESSOAS para se obter e manter o poder. A imensa maioria da população é completamente alheia a esse processo e não se importa com quem manda, desde que elas tenham alguns direitos essenciais não violados (vida, posse da maioria dos frutos do seu trabalho e integridade da sua família). Apenas uma minoria se importa e dedica tempo + recursos para influenciar o governo e tentar obter uma fatia do poder. É apenas com essa minoria que o aspirante a ditador deve se preocupar na maior parte do tempo. Somente essa minoria precisa ser ativamente cooptada OU suprimida. Somente essa minoria precisa ser vigiada de perto.
Exemplos: Princípio de Pareto (80/20), 1984 (apenas as classes médias-altas são vigiadas pelas teletelas) e Maquiavel ("a maioria dos homens vive sossegada se não mexem com sua propriedade ou mulheres. O príncipe que não se faz odiado ou desprezado só precisa cuidar da ambição de poucos") e Luis XIV (manteve os nobres perto de si para vigiá-los).
Um outro exemplo são os fóruns de internet: 90% dos problemas com a moderação são causados por menos de 10% dos usuários.
3- O que garante o poder em última instância é a FORÇA MILITAR. Mas mesmo uma força militar formidável se esgotaria se precisasse lutar 24/7 para defender o ditador. Além disso, não é possível gozar as vantagens do poder se for necessário matar a maioria dos governados para mantê-lo. E ainda mais: a paciência, lealdade e disposição desses militares para defender o ditador não é infinita. Logo, é necessário que o ditador tenha algum nível mínimo de aceitação da maioria dos governados para que não surja o tempo todo inimigos que precisem ser combatidos. Essa aceitação recebe o nome de LEGITIMIDADE.
4- A legitimidade pode ser obtida de 4 fontes diferentes:
A- Religião: o grupo que controla a religião (clero) estabelece o ditador como um governante indicado pelos deuses, ou como ele próprio um deus ou filho de deuses. Vantagens: deixa o governante praticamente intocável Desvantagens: deixa o clero poderoso demais e não é aplicável em uma sociedade com pluralismo religioso.
Uma forma perfeita de usar esse instrumento seria o próprio ditador ser ao mesmo tempo o clérigo supremo, como ocorreu em Roma no início do Império. Isso eliminaria o problema do clero poderoso, porém o perigo representado pelo pluralismo religioso persistiria.
B- Tradição: ela provém de algum "mito fundador" do estado, nação ou tribo que dá a uma determinada linhagem familiar ou a algum vencedor em determinada competição tradicional o direito de governar. O aspirante a ditador necessitaria forjar um parentesco com a linhagem governante (caso já não seja desta) através de papéis falsificados, divulgação calculada de fake news ou casando-se com algum membro desta família. Se o método de escolha for alguma competição, fica mais difícil, exceto se o aspirante a ditador conseguir trapaceá-la de algum modo.
Vantagens: as mesmas da religião, porém em uma versão bem mais enfraquecida.
Desvantagens: a tradição tende a criar uma "nobreza", e esta costuma ter aspirações ao poder.
C- Ideologia: ela provém de um conjunto de idéias, princípios, crenças ou aspirações sobre a economia, sociedade, cultura ou mesmo religião. O ditador é visto como um "revolucionário" que está tentando implementar o que a ideologia determina como bom ou necessário, ou então é visto como um "defensor" do status quo e das "coisas boas" atuais contra alguma ameaça perigosa, seja interna (revolucionária) ou externa.
Vantagens: é aplicável a uma sociedade com pluralismo religioso ou cultural e combina bem com o cientificismo pós-iluminista, dado que não exige crenças sobrenaturais ou a idéia de nobreza hereditária.
Desvantagens: É necessário manter um clima de "revolução permanente", ou seja, os objetivos propostos pela ideologia não podem ser todos concretizados mesmo que fossem possíveis, pois isso eliminaria a justificativa para o ditador permanecer no poder. Essa justificativa ideológica tende a perder força com o passar do tempo, com o aumento gradativo do ceticismo da população em relação à mesma. Chegará um tempo em que o ditador (ou seus sucessores) precisará fazer duas coisas pra TENTAR manter o poder: conceder generosas regalias aos militares e isolar completamente a população da influência de idéias contrárias ao regime. Se essas duas coisas não forem feitas, o regime tende a acabar de forma natural.
D- Popularidade: ela provém da aprovação (real ou imaginária) que o ditador tem da maioria da população. Ele está no poder porque essa é, supostamente, a vontade da população.
Nesse caso, ele terá que COMPRAR a população com várias "bondades". A massa mais pobre do povo irá receber "presentes" do governo em forma de comida, itens diversos, entretenimento ou serviços quaisquer. As camadas médias recebem emprego e segurança (que deve ser melhor do que a oferecida pela concorrência, seja esta outro ditador ou a democracia) e a elite recebe favores econômicos diversos.
Comprando a população, o ditador irá criar alguma mini-ideologia que justifique sua posição (a mais comum e efetiva é a de "defender" o país ou o povo contra determinados inimigos ou problemas), controlar o fluxo de informações na imprensa, promover a sua imagem e, após assegurado isso, promover simulacros de eleições para "confirmarem" que ele é o governante desejado pela população.
Vantagens: não possui nenhuma vantagem, exceto o fato de às vezes ser a única opção disponível dada a conjuntura sociocultural do país.

Desvantagens: é muito caro pra ser mantido. Na ausência de qualquer razão para a sua posição além da popularidade, ele deve estar o tempo todo concedendo "bondades" ao povo para manter o seu apoio, e isso sai caro, podendo arruinar o país no longo prazo. Essa estratégia não é duradoura e dificilmente esse ditador consegue fazer sucessor, isso se conseguir governar até a morte. Popularidade sozinha é algo fugaz e mutável, o ditador é visto como uma pessoa comum (portanto tocável) e em qualquer vacilo ele pode ser morto.

Escreverei mais sobre esse assunto futuramente, talvez.
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2020.09.01 04:10 Frank_Wh Vale a pena ingressar na carreira militar contra minha vontade?

Sabe, eu sei que a vida é feita de escolhas, mas nem sempre temos escolha. Já vou avisando que talvez meu texto venha a ofender quem trabalha na área militar, mas este não é meu objetivo, só quero colocar pra fora minhas lamentações sobre o fiasco que é o quê chamamos de "livre arbítrio" e como existem limitações injustas no ato de tomar decisões. Amanhã vou me apresentar no alistamento obrigatório. Porém por eu ser tecnicamente deficiente visual (9 graus de miopia), eu e minha família acreditamos que praticamente fica à meu critério dizer se quero ou não servir. Mas o problema começa quando eles querem impor a vontade deles sobre a minha, o sonho deles é me ver na aeronáutica, o meu é ter um emprego comum e ir pra uma faculdade do meu gosto. Eles incrustaram tão profundamente na minha cabeça que se "eu não entro na aeronáutica, vou ser um fracassado" , que eu tenho medo de seguir outros caminhos e acabar me fodendo, e eu não vou ter apoio, disso tenho certeza. O desemprego tá aí, a crise, a inflação, a desvalorização da moeda e da economia em geral no Brasil. Estar na aeronáutica ao ver deles é um privilégio por "ganhar bem sem trabalhar muito". É aí que tá, não quero receber sem fazer algo produtivo, sem de alguma forma contribuir com a menor besteira que seja para o mundo, eu me sinto MUITO mal em fazer isso, e dar o braço à torcer pra ter meu dinheiro garantido... faz eu me sentir vendido, eu sei que não posso ter tudo do meu jeito, mas a aeronáutica representa muito o oposto de tudo que eu acredito ser certo. E eu não falo sem ter noção, meus tios, meu avô, primos e 90% dos meus parentes são de lá; fora o fato de quê estudei em uma escola dentro de uma unidade militar por 4 anos, então tenho uma certa noção de como às vezes os militares são de certo reclusos ao "clubinho" deles, eu sei que deve soar orgulhoso eu dizer isso, mas eu realmente gostaria de seguir com a minha integridade, sem passar o resto da vida com o peso na consciência de que viver é simplesmente se vender pra sobreviver. Eu queria uma faculdade de física, química, farmácia, biomedicina ou algo desse ramo... mas nada disso é tão garantido e rentável quanto a EEAR, meus parentes dizem que se eu for seguir carreira militar, já devo começar me alistando, mas eu não sei... eu quero também um dia escrever, seja sendo escritor, jornalista, colunista ou sei lá o quê. Eu só quero colocar pra fora tudo que eu tenho pra dizer através da escrita, mas se eu jogar tudo que eu acredito no lixo... que valor eu teria como escritor?? Eu não seria muito diferente dos colunistas enviezados de direita ou esquerda que se entregam ao limbo de suas certezas. Não sei, não sou revolucionário, acho perda de tempo, só quero gastar o resto dos meus dias fazendo algo que eu goste sem me arrepender depois... não sou nada e nunca acredito que vou ser, só gostaria de ao menos tentar deixar meu insignificante registro no mundo. Talvez meu texto tenha ficado confuso, não sei, realmente estou em desespero. Amanhã decido se resisto à maré ou se me entrego nos braços do acaso e seja o quê for. Só sei que se eu entrar em uma instituição militar, nunca mais vou escrever, e vou ter certeza de que sou só mais uma engrenagem no sistema, sem qualquer chance de ser independente e escolher meu caminho. Não quero ser algo, só não quero me sentir engolido pelo mundo e forçado a perder minha esperança de que, talvez, "enquanto há vida, há esperança". Minha questão principal é... devo me vender a hipocrisia e jogar tudo que acredito no lixo? Ou devo seguir meus sonhos idiotas e sem certeza de algum sucesso? Ou talvez seja tudo um drama meu?? Por favor, alguém me responda...
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.08.23 20:57 loserpuser Tenho odeio da minha família e da vida que eu levo.

. Eu nunca senti afeto por parte dos meus pais. Eu sentia que os amava porque eles eram meus pais e os filhos amam seus pais certo? Até aí tudo bem. Minha vida toda eu morei com a minha avó, e ela nunca foi satisfeita com as filhas delas e ficou muito menos quando minha mãe me colocou pra ela cuidar enquanto trabalhava. Seis anos depois a minha tia fez a mesma coisa e depois de 11 anos teve uma segunda filha. Todas 3 ficamos com a minha avó enquanto as mães trabalhavam. Mas a minha mãe e eu éramos as únicas que moravam na casa da minha avó. E ela n fazia questão de esconder seu desagrado. Principalmente comigo que era uma criança lerda e que não tinha iniciativa de limpar as coisas desde cedo como ela fazia. "com nove anos eu saí da casa da minha mãe e fui morar com a minha tia. Mas deixava tudo arrumado, o almoço eu fazia, o banheiro eu lava, trabalhava na casa dos outtos, aos 16 anos eu arranjei emprego pra mim sem ninguém mandar." Ela sempre dizia isso. E isso me deixava mal como uma menina de 11 anos ouvindo. E então eu parei de falar com ela. E como minha mãe n estava em casa pq trabalhava, eu n tinha mais com quem falar. Tinha receio de falar sobre meus problemas sobre bullying na escola e sobre pensamentos que eu tinha. No fim, eu me tornei uma pessoa extremamente calada e chateada. Uma vez, fui chamada pra falar com a psicóloga da escola porque um grupo de alunos tinha me furado com os lápis e isso deixou claro o bullying, e quando minha mãe foi chamada a minha avó fez questão de ir até a escola e dizer que eu era uma menina estranha, suja, que não falava com ninguém, que meu guarda roupa era desorganizado, e que eles faziam bullying comigo porque eu deixava. E nós anos seguintes disso até hoje ela tira sarro de mim porque ela acredita que as pessoas só fazem bullying com você porque você deixa. Ela sempre faz questão de lembrar disso e isso me deixa com tanta raiva. Nos últimos 3 anos que a minha segunda prima está aqui, tem sido muito difícil pra mim. Porque é um bebê e Minha avó já tá meio doente e eu que tô fazendo a maior parte dos serviços da casa já que irmã mais velha da minha prima (elas passam 4 dias aqui em casa pq os pais voltaram a trabalhar na quarentena, apesar de eu achar que isso é mentira) não faz nada além de jogar no celular. E como estou no terceiro ano as coisas são mais complicadas por vestibular e provas online Eu melhorei consideravelmente meus hábitos de limpeza doméstica, mas ainda n é o suficiente para criar um bom ambiente com a minha avó. Descobri que não gosto de crianças definitivamente e considero tentar fazer as provas militares e me afastar da família o máximo de tempo possível. Pensar nisso me dá um pouco de paz de toda a pressão e reclamações que eu recebo da pessoa a qual eu tive o maior afeto por um curto tempo de vida. Mas isso também me assusta. Eu sou babaca por querer distância da minha família e odiar cada um deles?
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2020.08.23 20:38 loserpuser quero fugir da minha familia

Oi, esse é meu primeiro desabafo e por algum motivo eu me sinto estranha compartilhando isso. Mas a questão é o seguinte, eu moro com a minha avó e meus pais são separados. Minha mãe odeia meu pai e meu pai por muito tempo queria trazer minha mãe pra casa dele. Olhando de fora com a cabeça que eu tenho hoje, nunca foi sobre mim e sim sobre eles dois. Eu nunca senti afeto por parte dos meus pais. Eu sentia que os amava porque eles eram meus pais e os filhos amam seus pais certo? Até aí tudo bem. Minha vida toda eu morei com a minha avó, e ela nunca foi satisfeita com as filhas delas e ficou muito menos quando minha mãe me colocou pra ela cuidar enquanto trabalhava. Seis anos depois a minha tia fez a mesma coisa e depois de 11 anos teve uma segunda filha. Todas 3 ficamos com a minha avó enquanto as mães trabalhavam. Mas a minha mãe e eu éramos as únicas que moravam na casa da minha avó. E ela n fazia questão de esconder seu desagrado. Principalmente comigo que era uma criança lerda e que não tinha iniciativa de limpar as coisas desde cedo como ela fazia. "com nove anos eu saí da casa da minha mãe e fui morar com a minha tia. Mas deixava tudo arrumado, o almoço eu fazia, o banheiro eu lava, trabalhava na casa dos outtos, aos 16 anos eu arranjei emprego pra mim sem ninguém mandar." Ela sempre dizia isso. E isso me deixava mal como uma menina de 11 anos ouvindo. E então eu parei de falar com ela. E como minha mãe n estava em casa pq trabalhava, eu n tinha mais com quem falar. Tinha receio de falar sobre meus problemas sobre bullying na escola e sobre pensamentos que eu tinha. No fim, eu me tornei uma pessoa extremamente calada e chateada. Nos últimos 3 anos que a minha segunda prima está aqui, tem sido muito difícil pra mim. Eu melhorei consideravelmente meus hábitos de limpeza doméstica, mas ainda n é o suficiente para criar um bom ambiente com a minha avó. Descobri que não gosto de crianças definitivamente e considero tentar fazer as provas militares e me afastar da família o máximo de tempo possível. Pensar nisso me dá um pouco de paz de toda a pressão e reclamações que eu recebo da pessoa a qual eu tive o maior afeto por um curto tempo de vida. Mas isso também me assusta. Eu seria a única pessoa que tem esse tipo de pensamento? Eu estou errada?
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2020.08.23 16:32 Godi22kam BRASIL : A MELHOR FORMA DE COMBATER DESEMPREGO E CRISE ECONÔMICA

COMO FAZER O BRASIL SAIR DO DESEMPREGO e DA CRISE ECONÔMICA:
Valorizar empresas brasileiras e criar empresas públicas,principalmente serviços públicos para melhorar a empregabilidade no Brasil. Agora as empresas estrangeiras não fazem nenhum pouco falta e é muito errado o Estado sonegar dívidas ou impostos de empresas estrangeiras,isto é, O GOVERNO FEDERAL dá muitos privilégios a empresas estrangeiras como território gratuito e sonegação de impostos. Isso é o maior roubo da máquina pública. Brasil tem que investir no nacional e o estrangeiro tem que se lascar ou deixar em terceiro/quarto plano.
Abrir muitas vagas de concursos públicos para todos os setores (principalmente da saúde e área militar) e oportunidades de empregos públicos para os jovens,principalmente, trabalharem para o Estado e melhorar a economia. Ampliar incorporação militar para cada tipo de faixa etária e renda fixa (cada um exercendo um tipo de função). Imposto único (somente de renda),cobrado uma vez ao ano pelos brasileiros, já os estrangeiros várias taxações de impostos.
Enfim, assim a economia voltaria e acabaria com o desemprego no Brasil porque a circulação de dinheiro percorreria em todos os cidadãos brasileiros, diminuindo inclusive a desigualdade social.
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2020.08.23 16:27 Godi22kam BRASIL : A MELHOR FORMA DE COMBATER DESEMPREGO E CRISE ECONÔMICA

COMO FAZER O BRASIL SAIR DO DESEMPREGO e DA CRISE ECONÔMICA:
Valorizar empresas brasileiras e criar empresas públicas,principalmente serviços públicos para melhorar a empregabilidade no Brasil. Agora as empresas estrangeiras não fazem nenhum pouco falta e é muito errado o Estado sonegar dívidas ou impostos de empresas estrangeiras,isto é, O GOVERNO FEDERAL dá muitos privilégios a empresas estrangeiras como território gratuito e sonegação de impostos. Isso é o maior roubo da máquina pública. Brasil tem que investir no nacional e o estrangeiro tem que se lascar ou deixar em terceiro/quarto plano.
Abrir muitas vagas de concursos públicos para todos os setores (principalmente da saúde e área militar) e oportunidades de empregos públicos para os jovens,principalmente, trabalharem para o Estado e melhorar a economia. Ampliar incorporação militar para cada tipo de faixa etária e renda fixa (cada um exercendo um tipo de função). Imposto único (somente de renda),cobrado uma vez ao ano pelos brasileiros, já os estrangeiros várias taxações de impostos.
Enfim, assim a economia voltaria e acabaria com o desemprego no Brasil porque a circulação de dinheiro percorreria em todos os cidadãos brasileiros, diminuindo inclusive a desigualdade social.
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2020.08.23 16:27 Godi22kam BRASIL : A MELHOR FORMA DE COMBATER DESEMPREGO E CRISE ECONÔMICA

COMO FAZER O BRASIL SAIR DO DESEMPREGO e DA CRISE ECONÔMICA:
Valorizar empresas brasileiras e criar empresas públicas,principalmente serviços públicos para melhorar a empregabilidade no Brasil. Agora as empresas estrangeiras não fazem nenhum pouco falta e é muito errado o Estado sonegar dívidas ou impostos de empresas estrangeiras,isto é, O GOVERNO FEDERAL dá muitos privilégios a empresas estrangeiras como território gratuito e sonegação de impostos. Isso é o maior roubo da máquina pública. Brasil tem que investir no nacional e o estrangeiro tem que se lascar ou deixar em terceiro/quarto plano.
Abrir muitas vagas de concursos públicos para todos os setores (principalmente da saúde e área militar) e oportunidades de empregos públicos para os jovens,principalmente, trabalharem para o Estado e melhorar a economia. Ampliar incorporação militar para cada tipo de faixa etária e renda fixa (cada um exercendo um tipo de função). Imposto único (somente de renda),cobrado uma vez ao ano pelos brasileiros, já os estrangeiros várias taxações de impostos.
Enfim, assim a economia voltaria e acabaria com o desemprego no Brasil porque a circulação de dinheiro percorreria em todos os cidadãos brasileiros, diminuindo inclusive a desigualdade social.
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2020.08.23 14:52 Godi22kam BRASIL: A MELHOR FORMA DE COMBATER O DESEMPREGO E A CRISE ECONÔMICA

COMO FAZER O BRASIL SAIR DO DESEMPREGO e DA CRISE ECONÔMICA:
Valorizar empresas brasileiras e criar empresas públicas,principalmente serviços públicos para melhorar a empregabilidade no Brasil. Agora as empresas estrangeiras não fazem nenhum pouco falta e é muito errado o Estado sonegar dívidas ou impostos de empresas estrangeiras,isto é, O GOVERNO FEDERAL dá muitos privilégios a empresas estrangeiras como território gratuito e sonegação de impostos. Isso é o maior roubo da máquina pública. Brasil tem que investir no nacional e o estrangeiro tem que se lascar ou deixar em terceiro/quarto plano.
Abrir muitas vagas de concursos públicos para todos os setores (principalmente da saúde e área militar) e oportunidades de empregos públicos para os jovens,principalmente, trabalharem para o Estado e melhorar a economia. Ampliar incorporação militar para cada tipo de faixa etária e renda fixa (cada um exercendo um tipo de função). Imposto único (somente de renda),cobrado uma vez ao ano pelos brasileiros, já os estrangeiros várias taxações de impostos.
Enfim, assim a economia voltaria e acabaria com o desemprego no Brasil porque a circulação de dinheiro percorreria em todos os cidadãos brasileiros, diminuindo inclusive a desigualdade social.
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2020.08.17 06:58 bs-ConselhosLegais Reconhecimento de curso de Ciência da Computação, porém não tenho direito a um dinheiro de ações do meu emprego devido ao serviço militar

Ela não sabe o que está acontecendo: Trabalho nesta empresa faz um tempo que tenho batido cabeça com uma coisa. Eu até que concordo mas o apartamento que eles marcaram de ver com os meus pais, falaram que o apartamento que moro com minha mãe e nenhuma delas ouviu nenhuma buzina.
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2020.07.24 06:09 Cellbitoves Briga familiar ( não sei o que fazer)

Mais uma madrugada declarando um pouco do que passa por aqui. Bem eu sinceramente não sei o que fazer, vou tentar resumir ao máximo, apesar de meus posts serem muito longos hahaha.
Start- Bem aqui em casa somos 4, e classifico que somos de classe média do tipo que nunca tira férias sm família para viajar, mas também sempre tivemos a oportunidade de estudar nas melhores escolas e faculdades ( aqui essas coisas são muito mais baratas que ai para baixo do país).
Desenvolvimento- Dada essa introdução, vou explicar a razão desse post, bem meu pai é da área de tecnologia e sempre trabalhou nas melhores empresas possíveis da época, até que ele veio para cá com minha mãe e ai começou a ficar complicado, porque aqui como sempre digo, tem poucas empresas e muita coisa é estatizada. Daí ele teve que ir para o serviço público e teve bons empregos também, so que de uns anos para cá ele enjoo de trabalhar no ramo público e começou a querer empreender, até ai beleza, so que ele sempre abandonava os empregos para isso e TODOS os negócios que ele montava faliram, e tivemos que vender apartamento, carros, pegar empréstimos para pagar as contas, e esse ciclo se repete desde que eu tinha uns 7 anos.
A minha indignação é que ele abandona os empregos e joga as contas nas costas da minha mãe, e eu fico puto com isso, fora que além dele ficar relaxado pq sabe que tem alguém para banca-lo, ele nunca se preocupou muito com a nossa criação, não sei andar de bike sozinho, ele não me levava para empinar pipa ou sei lá essas coisas de pai e filho, tive que fazer isso sozinho ou com meu tio, achei que por ele ter vindo de uma família militar ele pensaria mais na família sei lá.
The end- Bem acontece que ele ta desemprego desde setembro de 2019, PQ ELE QUER, ( JA É A 5 OU 6 VEZ QUE ELE FAZ ISSO DESDE QUE EU NASCI), ja vi oferecerem diversas propostas para ele no início do ano antes da pandemia, so que ele rejeitava pq não queria mais ser funcionário público, e pq ele iria ganhar mais como empresário, resultado veio o vírus e ele ficou sem negócios e sem colocação alguma e minha mãe que mais sofre, trabalhando, pagando as contas e fazendo comida,( eu ajudo também).
Resultado ele disse agora que vai embora pro EUA pq aqui ninguém valoriza o trabalho dele e que ele vai enviar dinheiro de lá, bem 200 dólares da mais de 800 reais então até que compensa, mas a FRONTEIRA ESTÁ FECHADA, e é sério que ele quer larga a gente aqui? Tipo ele podia ter uma vida normal se ele quisesse, eu fico com raiva dessa rebeldia dia dele ficar pedindo demissão todo ano, mas ao mesmo tempo tenho pena de que ele está quase com 60 anos e não vai nem conseguir se aposentar pq não contribuiu o suficiente para previdência.
É triste vê uma pessoa que tinha um futuro brilhante agora viver as custas da esposa, e nem ter possiblidade de emprego.
O QUE EU FALO PRA ELE? EU SOU O HOMEM DA CASA TAMBÉM, JA SOU MAIOR DE IDADE E ME VEJO NA OBRIGAÇÃO DE DIZER ALGO
Desculpa tentei ao máximo não deixar o texto muito grande, mas precisava desabafar isso com alguém, me ajudem por favor
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2020.07.23 10:09 diplohora Mes estudos para o CACD - Bruno Pereira Rezende

Livro do diplomata Bruno Pereira Rezende
INTRODUÇÃO
📷📷Desde quando comecei os estudos para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), li dezenas de recomendações de leituras, de guias de estudos extraoficiais, de dicas sobre o concurso, sobre cursinhos preparatórios etc. Sem dúvida, ter acesso a tantas informações úteis, vindas de diversas fontes, foi fundamental para que eu pudesse fazer algumas escolhas certas em minha preparação, depois de algumas vacilações iniciais. Mesmo assim, além de a maioria das informações ter sido conseguida de maneira dispersa, muitos foram os erros que acho que eu poderia haver evitado. Por isso, achei que poderia ser útil reunir essas informações que coletei, adicionando um pouco de minha experiência com os estudos preparatórios para o CACD neste documento.
Além disso, muitas pessoas, entre conhecidos e desconhecidos, já vieram me pedir sugestões de leituras, de métodos de estudo, de cursinhos preparatórios etc., e percebi que, ainda que sempre houvesse alguma diferenciação entre as respostas, eu acabava repetindo muitas coisas. É justamente isso o que me motivou a escrever este documento – que, por não ser (nem pretender ser) um guia, um manual ou qualquer coisa do tipo, não sei bem como chamá-lo, então fica como “documento” mesmo, um relato de minhas experiências de estudos para o CACD. Espero que possa ajudar os interessados a encontrar, ao menos, uma luz inicial para que não fiquem tão perdidos nos estudos e na preparação para o concurso.
Não custa lembrar que este documento representa, obviamente, apenas a opinião pessoal do autor, sem qualquer vínculo com o Ministério das Relações Exteriores, com o Instituto Rio Branco ou com o governo brasileiro. Como já disse, também não pretendo que seja uma espécie de guia infalível para passar no concurso. Além disso, o concurso tem sofrido modificações frequentes nos últimos anos, então pode ser que algumas coisas do que você lerá a seguir fiquem ultrapassadas daqui a um ou dois concursos. De todo modo, algumas coisas são básicas e podem ser aplicadas a qualquer situação de prova que vier a aparecer no CACD, e é necessário ter o discernimento necessário para aplicar algumas coisas do que falarei aqui a determinados contextos. Caso você tenha dúvidas, sugestões ou críticas, fique à vontade e envie-as para [[email protected] ](mailto:[email protected])(se, por acaso, você tiver outro email meu, prefiro que envie para este, pois, assim, recebo tudo mais organizado em meu Gmail). Se tiver comentários ou correções acerca deste material, peço, por favor, que também envie para esse email, para que eu possa incluir tais sugestões em futura revisão do documento.
Além desta breve introdução e de uma também brevíssima conclusão, este documento tem quatro partes. Na primeira, trato, rapidamente, da carreira de Diplomata: o que faz, quanto ganha, como vai para o exterior etc. É mais uma descrição bem ampla e rápida, apenas para situar quem, porventura, estiver um pouco mais perdido. Se não estiver interessado, pode pular para as partes seguintes, se qualquer prejuízo para seu bom entendimento. Na segunda parte, trato do concurso: como funciona, quais são os pré-requisitos para ser diplomata, quais são as fases do concurso etc. Mais uma vez, se não interessar, pule direto para a parte seguinte. Na parte três, falo sobre a preparação para o concurso (antes e durante), com indicações de cursinhos, de professores particulares etc. Por fim, na quarta parte, enumero algumas sugestões de leituras (tanto próprias quanto coletadas de diversas fontes), com as devidas considerações pessoais sobre cada uma. Antes de tudo, antecipo que não pretendo exaurir toda a bibliografia necessária para a aprovação, afinal, a cada ano, o concurso cobra alguns temas específicos. O que fiz foi uma lista de obras que auxiliaram em minha preparação (e, além disso, também enumerei muitas sugestões que recebi, mas não tive tempo ou vontade de ler – o que também significa que, por mais interessante que seja, você não terá tempo de ler tudo o que lhe recomendam por aí, o que torna necessário é necessário fazer algumas escolhas; minha intenção é auxiliá-lo nesse sentido, na medida do possível).
Este documento é de uso público e livre, com reprodução parcial ou integral autorizada, desde que citada a fonte. Sem mais, passemos ao que interessa.
Parte I – A Carreira de Diplomata
INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar, rápida apresentação sobre mim. Meu nome é Bruno Rezende, tenho 22 anos e fui aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD) de 2011. Sou graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (turma LXII, 2007-20110), e não tinha certeza de que queria diplomacia até o meio da universidade. Não sei dizer o que me fez escolher a diplomacia, não era um sonho de infância ou coisa do tipo, e não tenho familiares na carreira. Acho que me interessei por um conjunto de aspectos da carreira. Comecei a preparar-me para o CACD em meados de 2010, assunto tratado na Parte III, sobre a preparação para o concurso.
Para maiores informações sobre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), sobre o Instituto Rio Branco (IRBr), sobre a vida de diplomata etc., você pode acessar os endereços:
- Página do MRE: http://www.itamaraty.gov.b
- Página do IRBr: http://www.institutoriobranco.mre.gov.bpt-b
- Canal do MRE no YouTube: http://www.youtube.com/mrebrasil/
- Blog “Jovens Diplomatas”: http://jovensdiplomatas.wordpress.com/
- Comunidade “Coisas da Diplomacia” no Orkut (como o Orkut está ultrapassado, procurei reunir todas as informações úteis sobre o concurso que encontrei por lá neste documento, para que vocês não tenham de entrar lá, para procurar essas informações):
http://www.orkut.com.bMain#Community?cmm=40073
- Comunidade “Instituto Rio Branco” no Facebook: http://www.facebook.com/groups/institutoriobranco/
Com certeza, há vários outros blogs (tanto sobre a carreira quanto sobre a vida de diplomata), mas não conheço muitos. Se tiver sugestões, favor enviá-las para [[email protected].](mailto:[email protected])
Além disso, na obra O Instituto Rio Branco e a Diplomacia Brasileira: um estudo de carreira e socialização (Ed. FGV, 2007), a autora Cristina Patriota de Moura relata aspectos importantes da vida diplomática daqueles que ingressam na carreira. Há muitas informações desatualizadas (principalmente com relação ao concurso), mas há algumas coisas interessantes sobre a carreira, e o livro é bem curto.
A DIPLOMACIA E O TRABALHO DO DIPLOMATA
Com a intensificação das relações internacionais contemporâneas e com as mudanças em curso no contexto internacional, a demanda de aprimoramento da cooperação entre povos e países tem conferido destaque à atuação da diplomacia. Como o senso comum pode indicar corretamente, o
diplomata é o funcionário público que lida com o auxílio à Presidência da República na formulação da política externa brasileira, com a condução das relações da República Federativa do Brasil com os demais países, com a representação brasileira nos fóruns e nas organizações internacionais de que o país faz parte e com o apoio aos cidadãos brasileiros residentes ou em trânsito no exterior. Isso todo mundo que quer fazer o concurso já sabe (assim espero).
Acho que existem certos mitos acerca da profissão de diplomata. Muitos acham que não irão mais pagar multa de trânsito, que não poderão ser presos, que nunca mais pegarão fila em aeroporto etc. Em primeiro lugar, não custa lembrar que as imunidades a que se referem as Convenções de Viena sobre Relações Diplomáticas e sobre Relações Consulares só se aplicam aos diplomatas no exterior (e nos países em que estão acreditados). No Brasil, os diplomatas são cidadãos como quaisquer outros. Além disso, imunidade não é sinônimo de impunidade, então não ache que as imunidades são as maiores vantagens da vida de um diplomata. O propósito das imunidades é apenas o de tornar possível o trabalho do diplomata no exterior, sem empecilhos mínimos que poderiam obstar o bom exercício da profissão. Isso não impede que diplomatas sejam revistados em aeroportos, precisem de vistos, possam ser julgados, no Brasil, por crimes cometidos no exterior etc.
Muitos também pensam que irão rodar o mundo em primeira classe, hospedar-se em palácios suntuosos, passear de iate de luxo no Mediterrâneo e comer caviar na cerimônia de casamento do príncipe do Reino Unido. Outros ainda acham que ficarão ricos, investirão todo o dinheiro que ganharem na Bovespa e, com três anos de carreira, já estarão próximos do segundo milhão. Se você quer ter tudo isso, você está no concurso errado, você precisa de um concurso não para diplomata, mas para marajá. Obviamente, não tenho experiência suficiente na carreira para dizer qualquer coisa, digo apenas o que já li e ouvi de diversos comentários por aí. É fato que há carreiras públicas com salários mais altos. Logo, se você tiver o sonho de ficar rico com o salário de servidor público, elas podem vir a ser mais úteis nesse sentido. Há não muito tempo, em 2006, a remuneração inicial do Terceiro-Secretário (cargo inicial da carreira de diplomata), no Brasil, era de R$ 4.615,53. Considerando que o custo de vida em Brasília é bastante alto, não dava para viver de maneira tão abastada, como alguns parecem pretender. É necessário, entretanto, notar que houve uma evolução significativa no aspecto salarial, nos últimos cinco anos (veja a seç~o seguinte, “Carreira e Salrios). De todo modo, já vi vários diplomatas com muitos anos de carreira dizerem: “se quiser ficar rico, procure outra profissão”. O salário atual ajuda, mas não deve ser sua única motivação.
H um texto ótimo disponível na internet: “O que é ser diplomata”, de César Bonamigo, que reproduzo a seguir.
O Curso Rio Branco, que frequentei em sua primeira edição, em 1998, pediu-me para escrever sobre o que é ser diplomata. Tarefa difícil, pois a mesma pergunta feita a diferentes diplomatas resultaria, seguramente, em respostas diferentes, umas mais glamourosas, outras menos, umas ressaltando as vantagens, outras as desvantagens, e não seria diferente se a pergunta tratasse de outra carreira qualquer. Em vez de falar de minhas impressões pessoais, portanto, tentarei, na medida do possível, reunir observações tidas como “senso comum” entre diplomatas da minha geraç~o.
Considero muito importante que o candidato ao Instituto Rio Branco se informe sobre a realidade da carreira diplomática, suas vantagens e desvantagens, e que dose suas expectativas de acordo. Uma expectativa bem dosada não gera desencanto nem frustração. A carreira oferece um pacote de coisas boas (como a oportunidade de conhecer o mundo, de atuar na área política e econômica, de conhecer gente interessante etc.) e outras não tão boas (uma certa dose de burocracia, de hierarquia e dificuldades no equacionamento da vida familiar). Cabe ao candidato inferir se esse pacote poderá ou não fazê-lo feliz.
O PAPEL DO DIPLOMATA
Para se compreender o papel do diplomata, vale recordar, inicialmente, que as grandes diretrizes da política externa são dadas pelo Presidente da República, eleito diretamente pelo voto popular, e pelo Ministro das Relações Exteriores, por ele designado. Os diplomatas são agentes políticos do Governo, encarregados da implementação dessa política externa. São também servidores públicos, cuja função, como diz o nome, é servir, tendo em conta sua especialização nos temas e funções diplomáticos.
Como se sabe, é função da diplomacia representar o Brasil perante a comunidade internacional. Por um lado, nenhum diplomata foi eleito pelo povo para falar em nome do Brasil. É importante ter em mente, portanto, que a legitimidade de sua ação deriva da legitimidade do Presidente da República, cujas orientações ele deve seguir. Por outro lado, os governos se passam e o corpo diplomático permanece, constituindo elemento importante de continuidade da política externa brasileira. É tarefa essencial do diplomata buscar identificar o “interesse nacional”. Em negociações internacionais, a diplomacia frequentemente precisa arbitrar entre interesses de diferentes setores da sociedade, não raro divergentes, e ponderar entre objetivos econômicos, políticos e estratégicos, com vistas a identificar os interesses maiores do Estado brasileiro.
Se, no plano externo, o Ministério das Relações Exteriores é a face do Brasil perante a comunidade de Estados e Organizações Internacionais, no plano interno, ele se relaciona com a Presidência da República, os demais Ministérios e órgãos da administração federal, o Congresso, o Poder Judiciário, os Estados e Municípios da Federação e, naturalmente, com a sociedade civil, por meio de Organizações Não Governamentais (ONGs), da Academia e de associações patronais e trabalhistas, sempre tendo em vista a identificação do interesse nacional.
O TRABALHO DO DIPLOMATA
Tradicionalmente, as funções da diplomacia são representar (o Estado brasileiro perante a comunidade internacional), negociar (defender os interesses brasileiros junto a essa comunidade) e informar (a Secretaria de Estado, em Brasília, sobre os temas de interesse brasileiro no mundo). São também funções da diplomacia brasileira a defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior, o que é feito por meio da rede consular, e a promoção de interesses do País no exterior, tais como interesses econômico-comerciais, culturais, científicos e tecnológicos, entre outros.
No exercício dessas diferentes funções, o trabalho do diplomata poderá ser, igualmente, muito variado. Para começar, cerca de metade dos mil1 diplomatas que integram o Serviço Exterior atua no Brasil, e a outra metade nos Postos no exterior (Embaixadas, Missões, Consulados e Vice-Consulados). Em Brasília, o diplomata desempenha funções nas áreas política, econômica e administrativa, podendo cuidar de temas tão diversos quanto comércio internacional, integração regional (Mercosul), política bilateral (relacionamento do Brasil com outros países e blocos), direitos humanos, meio ambiente ou administração física e financeira do Ministério. Poderá atuar, ainda, no Cerimonial (organização dos encontros entre autoridades brasileiras e estrangeiras, no Brasil e no exterior) ou no relacionamento do Ministério com a sociedade (imprensa, Congresso, Estados e municípios, Academia, etc.).
No exterior, também, o trabalho dependerá do Posto em questão. As Embaixadas são representações do Estado brasileiro junto aos outros Estados, situadas sempre nas capitais, e desempenham as funções tradicionais da diplomacia (representar, negociar, informar), além de promoverem o Brasil junto a esses Estados. Os Consulados, Vice-Consulados e setores consulares de Embaixadas podem situar-se na capital do país ou em outra cidade onde haja uma comunidade brasileira expressiva. O trabalho nesses Postos é orientado à defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros no exterior. Nos Postos multilaterais (ONU, OMC, FAO, UNESCO, UNICEF, OEA etc.), que podem ter natureza política, econômica ou estratégica, o trabalho envolve, normalmente, a representação e a negociação dos interesses nacionais.
O INGRESSO NA CARREIRA
A carreira diplomática se inicia, necessariamente, com a aprovação no concurso do Instituto Rio Branco (Informações sobre o concurso podem ser obtidas no site http://www2.mre.gov.birbindex.htm). Para isso, só conta a competência – e, talvez, a sorte – do candidato. Indicações políticas não ajudam.
AS REMOÇÕES
Após os dois anos de formação no IRBr , o diplomata trabalhará em Brasília por pelo menos um ano. Depois, iniciam-se ciclos de mudança para o exterior e retornos a Brasília. Normalmente, o diplomata vai para o exterior, onde fica três anos em um Posto, mais três anos em outro Posto, e retorna a Brasília, onde fica alguns anos, até o início de novo ciclo. Mas há espaço para flexibilidades. O diplomata poderá sair para fazer um Posto apenas, ou fazer três Postos seguidos antes de retornar a Brasília. Isso dependerá da conveniência pessoal de cada um. Ao final da carreira, o diplomata terá passado vários anos no exterior e vários no Brasil, e essa proporção dependerá essencialmente das escolhas feitas pelo próprio diplomata. Para evitar que alguns diplomatas fiquem sempre nos “melhores Postos” – um critério, aliás, muito relativo – e outros em Postos menos privilegiados, os Postos no exterior estão divididos em [quatro] categorias, [A, B, C e D], obedecendo a critérios não apenas de qualidade de vida, mas também geográficos, e é seguido um sistema de rodízio: após fazer um Posto C, por exemplo, o diplomata terá direito a fazer um Posto A [ou B], e após fazer um Posto A, terá que fazer um Posto [B, C ou D].
AS PROMOÇÕES
Ao tomar posse no Serviço Exterior, o candidato aprovado no concurso torna-se Terceiro-Secretário. É o primeiro degrau de uma escalada de promoções que inclui, ainda, Segundo-Secretário, Primeiro-
-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe (costuma-se dizer apenas “Ministro”) e Ministro de Primeira Classe (costuma-se dizer apenas “Embaixador”), nessa ordem. Exceto pela primeira promoção, de Terceiro para Segundo-Secretário, que se dá por tempo (quinze Terceiros Secretários são promovidos a cada semestre), todas as demais dependem do mérito, bem como da articulação política do diplomata. Nem todo diplomata chega a Embaixador. Cada vez mais, a competição na carreira é intensa e muitos ficam no meio do caminho. Mas, não se preocupem e também não se iludam: a felicidade não está no fim, mas ao longo do caminho!
DIRECIONAMENTO DA CARREIRA
Um questionamento frequente diz respeito à possibilidade de direcionamento da carreira para áreas específicas. É possível, sim, direcionar uma carreira para um tema (digamos, comércio internacional, direitos humanos, meio ambiente etc.) ou mesmo para uma região do mundo (como a Ásia, as Américas ou a África, por exemplo), mas isso não é um direito garantido e poderá não ser sempre possível. É preciso ter em mente que a carreira diplomática envolve aspectos políticos, econômicos e administrativos, e que existem funções a serem desempenhadas em postos multilaterais e bilaterais em todo o mundo, e n~o só nos países mais “interessantes”. Diplomatas est~o envolvidos em todas essas variantes e, ao longo de uma carreira, ainda que seja possível uma certa especialização, é provável que o diplomata, em algum momento, atue em áreas distintas daquela em que gostaria de se concentrar.
ASPECTOS PRÁTICOS E PESSOAIS
É claro que a vida é muito mais que promoções e remoções, e é inevitável que o candidato queira saber mais sobre a carreira que o papel do diplomata. Todos precisamos cuidar do nosso dinheiro, da saúde, da família, dos nossos interesses pessoais. Eu tentarei trazem um pouco de luz sobre esses aspectos.
DINHEIRO
Comecemos pelo dinheiro, que é assunto que interessa a todos. Em termos absolutos, os diplomatas ganham mais quando estão no exterior do que quando estão em Brasília. O salário no exterior, no entanto, é ajustado em função do custo de vida local, que é frequentemente maior que no Brasil. Ou seja, ganha-se mais, mas gasta-se mais. Se o diplomata conseguirá ou não economizar dependerá i) do salário específico do Posto , ii) do custo de vida local, iii) do câmbio entre a moeda local e o dólar, iv) do fato de ele ter ou não um ou mais filhos na escola e, principalmente, v) de sua propensão ao consumo. Aqui, não há regra geral. No Brasil, os salários têm sofrido um constante desgaste, especialmente em comparação com outras carreiras do Governo Federal, frequentemente obrigando o diplomata a economizar no exterior para gastar em Brasília, se quiser manter seu padrão de vida. Os diplomatas, enfim, levam uma vida de classe média alta, e a certeza de que não se ficará rico de verdade é compensada pela estabilidade do emprego (que não é de se desprezar, nos dias de hoje) e pela expectativa de que seus filhos (quando for o caso) terão uma boa educação, mesmo para padrões internacionais.
SAÚDE
Os diplomatas têm um seguro de saúde internacional que, como não poderia deixar de ser, tem vantagens e desvantagens. O lado bom é que ele cobre consultas com o médico de sua escolha, mesmo que seja um centro de excelência internacional. O lado ruim é que, na maioria das vezes, é preciso fazer o desembolso (até um teto determinado) para depois ser reembolsado, geralmente em 80% do valor, o que obriga o diplomata a manter uma reserva financeira de segurança.
FAMÍLIA : O CÔNJUGE
Eu mencionei, entre as coisas n~o t~o boas da carreira, “dificuldades no equacionamento da vida familiar”. A primeira dificuldade é o que fará o seu cônjuge (quando for o caso) quando vocês se mudarem para Brasília e, principalmente, quando forem para o exterior. Num mundo em que as famílias dependem, cada vez mais, de dois salários, equacionar a carreira do cônjuge é um problema recorrente. Ao contrário de certos países desenvolvidos, o Itamaraty não adota a política de empregar ou pagar salários a cônjuges de diplomatas. Na prática, cada um se vira como pode. Em alguns países é possível trabalhar. Fazer um mestrado ou doutorado é uma opção. Ter filhos é outra...
Mais uma vez, não há regra geral, e cada caso é um caso. O equacionamento da carreira do cônjuge costuma afetar principalmente – mas não apenas – as mulheres, já que, por motivos culturais, é mais comum o a mulher desistir de sua carreira para seguir o marido que o contrário2.
CASAMENTO ENTRE DIPLOMATAS
Os casamentos entre diplomatas não são raros. É uma situação que tem a vantagem de que ambos têm uma carreira e o casal tem dois salários. A desvantagem é a dificuldade adicional em conseguir que ambos sejam removidos para o mesmo Posto no exterior. A questão não é que o Ministério vá separar esses casais, mas que se pode levar mais tempo para conseguir duas vagas num mesmo Posto. Antigamente, eram frequentes os casos em que as mulheres interrompiam temporariamente suas carreiras para acompanhar os maridos. Hoje em dia, essa situação é exceção, não a regra.
FILHOS
Não posso falar com conhecimento de causa sobre filhos, mas vejo o quanto meus colegas se desdobram para dar-lhes uma boa educação. Uma questão central é a escolha da escola dos filhos, no Brasil e no exterior. No Brasil, a escola será normalmente brasileira, com ensino de idiomas, mas poderá ser a americana ou a francesa, que mantém o mesmo currículo e os mesmos períodos escolares em quase todo o mundo. No exterior, as escolas americana e francesa são as opções mais frequentes,
podendo-se optar por outras escolas locais, dependendo do idioma. Outra questão, já mencionada, é o custo da escola. Atualmente, não existe auxílio-educação para filhos de diplomatas ou de outros Servidores do Serviço Exterior brasileiro, e o dinheiro da escola deve sair do próprio bolso do servidor.
CÉSAR AUGUSTO VERMIGLIO BONAMIGO - Diplomata. Engenheiro Eletrônico formado pela UNICAMP. Pós- graduado em Administração de Empresas pela FGV-SP. Programa de Formação e Aperfeiçoamento - I (PROFA -
I) do Instituto Rio Branco, 2000/2002. No Ministério das Relações Exteriores, atuou no DIC - Divisão de Informação Comercial (DIC), 2002; no DNI - Departamento de Negociações Internacionais, 2003, e na DUEX - Divisão de União Europeia e Negociações Extrarregionais. Atualmente, serve na Missão junto à ONU (DELBRASONU), em NYC.
2 Conforme comunicado do MRE de 2010, é permitida a autorização para que diplomatas brasileiros solicitem passaporte diplomático ou de serviço e visto de permanência a companheiros do mesmo sexo. Outra resolução, de 2006, já permitia a inclusão de companheiros do mesmo sexo em planos de assistência médica.
Para tornar-se diplomata, é necessário ser aprovado no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), que ocorre todos os anos, no primeiro semestre (normalmente). O número de vagas do CACD, em condições normais, depende da vacância de cargos. Acho que a quantidade normal deve girar entre 25 e 35, mais ou menos. Desde meados dos anos 2000, como consequência da aprovação de uma lei federal, o Ministério das Relações Exteriores (MRE/Itamaraty3) ampliou seus quadros da carreira de diplomata, e, de 2006 a 2010, foram oferecidas mais de cem vagas anuais. Com o fim dessa provisão de cargos, o número de vagas voltou ao normal em 2011, ano em que foram oferecidas apenas 26 vagas (duas delas reservadas a portadores de deficiência física4). Para os próximos concursos, há perspectivas de aprovação de um projeto de lei que possibilitará uma oferta anual prevista de 60 vagas para o CACD, além de ampliar, também, as vagas para Oficial de Chancelaria (PL 7579/2010). Oficial de Chancelaria, aproveitando que citei, é outro cargo (também de nível superior) do MRE, mas não integra o quadro diplomático. A remuneração do Oficial de Chancelaria, no Brasil, é inferior à de Terceiro-Secretário, mas os salários podem ser razoáveis quando no exterior. Já vi muitos casos de pessoas que passam no concurso de Oficial de Chancelaria e ficam trabalhando no MRE, até que consigam passar no CACD, quando (aí sim) tornam-se diplomatas.
Para fazer parte do corpo diplomático brasileiro, é necessário ser brasileiro nato, ter diploma válido de curso superior (caso a graduação tenha sido realizada em instituição estrangeira, cabe ao candidato providenciar a devida revalidação do diploma junto ao MEC) e ser aprovado no CACD (há, também, outros requisitos previstos no edital do concurso, como estar no gozo dos direitos políticos, estar em dia com as obrigações eleitorais, ter idade mínima de dezoito anos, apresentar aptidão física e mental para o exercício do cargo e, para os homens, estar em dia com as obrigações do Serviço Militar). Os aprovados entram para a carreira no cargo de Terceiro-Secretário (vide hierarquia na próxima seç~o, “Carreira e Salrios”). Os aprovados no CACD, entretanto, não iniciam a carreira trabalhando: há, inicialmente, o chamado Curso de Formação, que se passa no Instituto Rio Branco (IRBr). Por três semestres, os aprovados no CACD estudarão no IRBr, já recebendo o salário de Terceiro-Secretário (para remunerações, ver a próxima seç~o, “Hierarquia e Salrios).
O trabalho no Ministério começa apenas após um ou dois semestres do Curso de Formação no IRBr (isso pode variar de uma turma para outra), e a designação dos locais de trabalho (veja as subdivisões do MRE na página seguinte) é feita, via de regra, com base nas preferências individuais e na ordem de classificação dos alunos no Curso de Formação.
3 O nome “Itamaraty” vem do nome do antigo proprietrio da sede do Ministério no Rio de Janeiro, o Bar~o Itamaraty. Por metonímia, o nome pegou, e o Palácio do Itamaraty constitui, atualmente, uma dependência do MRE naquela cidade, abrigando um arquivo, uma mapoteca e a sede do Museu Histórico e Diplomático. Em Brasília, o Palácio Itamaraty, projetado por Oscar Niemeyer e inaugurado em 1970, é a atual sede do MRE. Frequentemente, “Itamaraty” é usado como sinônimo de Ministério das Relações Exteriores.
4 Todos os anos, há reserva de vagas para deficientes físicos. Se não houver número suficiente de portadores de deficiência que atendam às notas mínimas para aprovação na segunda e na terceira fases do concurso, que têm caráter eliminatório, a(s) vaga(s) restante(s) é(são) destinada(s) aos candidatos da concorrência geral.
O IRBr foi criado em 1945, em comemoração ao centenário de nascimento do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Como descrito na página do Instituto na internet, seus principais objetivos são:
harmonizar os conhecimentos adquiridos nos cursos universitários com a formação para a carreira diplomática (já que qualquer curso superior é válido para prestar o CACD);
desenvolver a compreensão dos elementos básicos da formulação e execução da política externa brasileira;
iniciar os alunos nas práticas e técnicas da carreira.
No Curso de Formação (cujo nome oficial é PROFA-I, Programa de Formação e Aperfeiçoamento - obs.: n~o sei o motivo do “I”, n~o existe “PROFA-II”), os diplomatas têm aulas obrigatórias de: Direito Internacional Público, Linguagem Diplomática, Teoria das Relações Internacionais, Economia, Política Externa Brasileira, História das Relações Internacionais, Leituras Brasileiras, Inglês, Francês e Espanhol. Há, ainda, diversas disciplinas optativas à escolha de cada um (como Chinês, Russo, Árabe, Tradução, Organizações Internacionais, OMC e Contenciosos, Políticas Públicas, Direito da Integração, Negociações Comerciais etc.). As aulas de disciplinas conceituais duram dois semestres. No terceiro semestre de Curso de Formação, só há aulas de disciplinas profissionalizantes. O trabalho no MRE começa, normalmente, no segundo ou no terceiro semestre do Curso de Formação (isso pode variar de uma turma para outra). É necessário rendimento mínimo de 60% no PROFA-I para aprovação (mas é praticamente impossível alguém conseguir tirar menos que isso). Após o término do PROFA-I, começa a vida de trabalho propriamente dito no MRE. Já ouvi um mito de pedida de dispensa do PROFA I para quem já é portador de título de mestre ou de doutor, mas, na prática, acho que isso não acontece mais.
Entre 2002 e 2010, foi possível fazer, paralelamente ao Curso de Formação, o mestrado em diplomacia (na prática, significava apenas uma matéria a mais). Em 2011, o mestrado em diplomacia no IRBr acabou.
Uma das atividades comuns dos estudantes do IRBr é a publicação da Juca, a revista anual dos alunos do Curso de Formação do Instituto. Segundo informações do site do IRBr, “[o] termo ‘Diplomacia e Humanidades’ define os temas de que trata a revista: diplomacia, ciências humanas, artes e cultura. A JUCA visa a mostrar a produção acadêmica, artística e intelectual dos alunos da academia diplomática brasileira, bem como a recuperar a memória da política externa e difundi-la nos meios diplomático e acadêmico”. Confira a página da Juca na internet, no endereço: http://juca.irbr.itamaraty.gov.bpt-bMain.xml.
Para saber mais sobre a vida de diplomata no Brasil e no exterior, sugiro a conhecida “FAQ do Godinho” (“FAQ do Candidato a Diplomata”, de Renato Domith Godinho), disponível para download no link: http://relunb.files.wordpress.com/2011/08/faq-do-godinho.docx. Esse arquivo foi escrito há alguns anos, então algumas coisas estão desatualizadas (com relação às modificações do concurso, especialmente). De todo modo, a parte sobre o trabalho do diplomata continua bem informativa e atual.
MEUS ESTUDOS PARA O CACD – http://relunb.wordpress.com
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2020.07.15 01:38 Vl4dimirPudim Jogo do canal?

Uma ideia aí pra quem quer fazer o jogo do canal
Lembrando que é só uma ideia e não está sendo produzido
o jogo conta sua história na ilha de Pudinisland, empregos, casamentos, festas e guerras definiram bem esse jogo. "É um RPG"
O jogo começaria com a criação do seu personagem, Você pode escolher o seu nome e escolher entre algumas raças:
•Humano
•Russo
•Gnomo
•garota de anime
•dinossauro
•Texugo
•Guaxini
•Alien ( Só pra ADMs )
Após isso, você escolherá sua religião:
•Comunismo ortodoxos
•Profecias de Ricardo Milos
•Edinaldo Pereira
•pensamentos de Renatinho
•Ciência
•Klebão
•Mágica de Rasputin
•sem religião
Irais distribuir Seus atributos entres esses:
•Força
•Resistência
•precisão
•persuasão
•agilidade
•beleza
•Inteligência
•Resistência a frio
•Resistência a Quente
•habilidade no volante
•Habilidade de Gordo
•Resistência a Álcool
Por fim, seu início na ilha:
•Rússia 2
•Reino Gnomistico
•Estados de Renatinho
•Estado livre dos texugos
•Acre
• Navio clandestino inglês ( caso você quiser reconquistar a ilha ).
O jogo seria online, E teria bots Vladimir 1A pra preencher os espaços vazios, teria também uma economia baseado nas moedas oficiais de cada país, sendo sustentado pelos empregos presentes no jogo, podendo claramente se especializar em algo.
A história se passaria num universo paralelo onde a guerra entre Rússia 2 e o Império Gnomisticos não acaba, a missão barba ruiva falha, e o jogo se encontra num estado de guerra total, o personagem tem o papel de servir a sua nação oficial ( ou desertar para o lado inimigo ), a guerra é definida pelo número de soldados players que estão no fronte, mas não é possível haver um fim de batalha no jogo, só tomadas de territórios predefinidas. Também haverá um sistema de clima dinâmico no jogo, podendo haver nevascas, tempestades de água ou areia e tornados. Havendo também acontece ( armistícios, festivais, Missões militares sigilosas, entre outros ) a economia dos países dependem do player, o número de propriedades privadas ( define a riqueza do país).
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2020.07.10 00:46 HairlessButtcrack O BLM fez-me racista

Não teve nem 10 minutos no outro sub, quiz por aqui para ter outras perspectivas.
Fui criado a tratar todos da mesma maneira e julgar as pessoas ao nível das suas acções. Sempre tive isso como um dos meus pilares morais.
Ao crescer sempre vi pessoas a terem comentários de merda como "há e tal isso são coisas da tua cabeça", "ha e tal nasceu mulato mas tem olhos verdes já viste!?", "(estava a mandar vir com ele) e mandou me à merda", "ela é gira mas é burra e antipática", "não sabe coser nem cozinhar o marido é que faz tudo" entre outros. Estes sempre foram comentários que ou eram parvos para quem tinha a pele mais rija ou ofensivos para os outros. Às vezes acabavam com altercações mas pronto a malta aprendia.
Fui educado com valores católicos, um dos que me foi bem embutido foi "não faças aos outros aquilo que não gostas que te façam a ti" que para quem tem carro na cidade parece ser algo que nenhum condutor conhece.
"Quem nunca pecou que atire a primeira pedra" ou "não acredites em tudo o que ouves" que até há pouco tempo eram ícones na língua portuguesa mas agora já não. Agora basta ouvir "racista", "homofóbico", "nazi", "neo-", "sexista", "facho", "violador" que tudo o que é razão vai pela janela.
A isso entra um novo problema completamente importado dos Estados Unidos, "ismo sistémico" que não é ismo é um bicho papão que serve para pessoas que não foram educadas como deve de ser poderem ter um bode expiatório para justificar a sua própria incompetência/irresponsabilidade/infantilidade/imaturidade/falta de respeito. Algo que depois é papado pelos parvinhos todos na Internet que apesar de terem toda a informação descoberta pelo ser humano a dois cliques preferem achar que uma opinião anedótica de um gajo no Twitter é representativo do universo.
O meu problema neste momento é especialmente com o racismo, não estou a dizer que não existe quem o disser é obviamente estúpido. Sempre houve, ainda existe e continuará a existir. Agora a prevalência é que é diferente. Se me disserem que Portugal é mais racista que a China ou grande parte dos países em África ou Rússia ou Japão vou vos dar um estalo.
(Os exemplos seguintes são dos Estados Unidos) Não interessa que a maior causa de violência a negros sejam outros negros, não interessa que a maior causa de morte de negros sejam outros negros, não interessa que os brancos sejam os mais mortos pela polícia, não interessa que em países em que ter arma (us, México e Guatemala) é um direito constitucional hajam mais mortos pela polícia, não interessa que isto seja um problema maioritariamente americano. Não interessa que quando os navegadores chegaram a África para trocar bens foram lhes dados escravos em troca. Não interessa que países como Israel, Arábia Saudita, Rússia, China não recebam refugiados. "O homem branco é racista"
Mas isto não é exclusivo do racismo, sexismo também é outro bom exemplo. Não interessa que no ocidente as mulheres (tendo em conta todas as variáveis especialmente mesma educação, experiência, propensão a risco, e horas de trabalho) recebem ligeiramente mais que o homem, como saem do emprego para formar famílias (daí o wage gap), também não interessa que em Portugal as mulheres fiquem com a custódia dos filhos 95% das vezes ou que iniciem ≈80% dos divórcios, ou que a violência doméstica tenha taxas semelhantes entre homens e mulheres. "O homem é machista"
Mas se vens com justificações ou ousas sequer em rejeitar tais ideais progressistas és "-ista" Obviamente
Estou a dizer que estes problemas não existem ou não possam existir!? NÃO FODASSE ÓBVIO QUE NÃO. Estou a dizer que não são prevalentes? Estou. Dizer que é um bicho papão que está tão entranhado na "cultura branca" é pedir um convite a fazer como alguns dos escravos libertados nos EUA fizeram quando voltaram para África que acabaram por ser mais discriminados do que eram lá apesar de serem da mesma cor.
A Europa é o sítio menos racista no mundo se acham que é racista e sexista ponham-se no caralho experimentem o Sudão do Sul ou o Irão estão os dois bons nesta altura do ano. Eu obviamente pela minha narrativa e maneira de tratar pessoas segundo as suas acções sou racista e de certeza que não vou mudar. Se és um humano de merda és um humano de merda dá me igual que sejas "preto, monhé, kike, chinoca, cigano, paneleiro, gaja ou travesti" estou me a cagar. Assim que fazes algo que não é socialmente aceitável e até que tentes emendar ou mudar és inferior a mim e à média nacional, ponto.
Isto leva me a falar sobre a importância de uma sociedade homogénea, vocês não têm a noção de como ter uma sociedade assim é importante. A religião até à pouco tempo era quem mantia essa uniformidade em Portugal. O momento que se começa a apontar diferenças é o momento que as sociedades se dividem. Não é por nada que assim que Espanha permite cada região falar a sua própria língua que começam os movimentos separatistas. Não é por nada que o divide et impera é a estratégia militar mais bem sucedida de todos os tempos e uma que a Rússia usa desde a guerra fria(1983) e que tem usado (tanto como a China) para criar divisões nos Estados Unidos e vindo a verter para cá pelas redes sociais.
Eu acho e entendo que quando há problemas se devem falar neles contudo sou contra alimentar narrativas que se dizem prevalentes mas quando vamos a ver acontecem pontualmente. Tal como "os videojogos fazem as crianças matar pessoas" vamos ver os números... Correlação 0. Correlação com acesso a armas fraco. Correlação com passarem na televisão é grande.
Isto de alimentar narrativas de victimização e narrativas de extrema esquerda vai dar merda mais tarde ou mais cedo. Já estamos a ver partidos de direita e extrema direita a aparecer por todo o lado. O pnr a ganhar mais força e o Chega a ter o maior crescimento que algum partido alguma vez teve na história de Portugal. Continuem a dizer que são vítimas de ismos e a dizer que os outros são nazis continuem. Continuem a achar que a comunidade cigana não cria problemas e Leirosa há de se tornar num Panamá do Sul.
Sempre vi a cor de pele do outro como alguém vê a cor do cabelo ou cor dos olhos nunca registei sequer até ser chamado à atenção, hoje é a primeira coisa que noto continuo com a minha moral de tratar com respeito quem assim o merece mas irrita-me solenemente já não conseguir ver a cor de pele como a cor dos olhos.
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2020.07.07 18:08 SciRafael Faculdade e "vida normal" ou Militar (ESA, AFA, etc) ??

Pra vocês entenderem, eu tenho vontade de fazer faculdade de TI ou de segunda opção economia, ter meu emprego, meu carro, e ficar suave, mas as vezes tenho uma vontade grande de tentar ESA, me amarro muito nessas paradas relacionadas, militar, etc. (Antigamente eu tinha uma visão que militar só fica la na base, e fica até se aposentar kkk). Mas voltando ao assunto, o que vocês acham disso?
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2020.06.17 20:09 Tom_Rubemil A psicologia do ex-militar precisa ser estudada

A turma de vigias da minha empresa é formada por ex-militares das três forças. Os caras já são meio coroas, têm entre 10 e 15 anos de empresa, logo, todos ganham relativamente bem (entre 4 e 5k). São gente fina, no geral, bastante simpáticos e solícitos, apesar de todos serem Bolsonaristas.
Mas todo dia, no almoço e durante o serviço, o papo deles é saudosista. Fulano serviu ali, beltrano foi da marinha, eu servi ao tenente tal, que era muito rigoroso.
As histórias, quando eu presto atenção, no geral são repetitivas: sobre o quão rígido e sofrido foi o tempo de militar deles. Hoje estavam zoando um outro lá porque o quartel dele tinha quentinha. Um deles disse que tinha que comer sobras ou do comer no chão, como cachorro. Isso tudo com bastante naturalidade, e até orgulho. "Hahaha você tinha quentinha? E eu, que nem comida tinha!?"
Fiquei refletindo sobre o quão bosta essa formação militar é, que fez esses caras passarem por tanto sofrimento e humilhação desnecessários, sendo que o Brasil nem de guerra participa. Nenhum deles saiu com formação formalizada, só conseguiram o emprego atual por cursos que fizeram por fora.
E eles ainda são saudosistas com esse passado
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2020.06.03 07:16 Locutrad Saber o que é fascismo é um privilégio. Lembrem-se disso na hora tentar convencer alguém a ser contra o Bolsonaro

tl;dr: Pobre sem acesso à educação não teve a mesma oportunidade que você de estudar o que é fascismo. Ele tá mais preocupado com o que vai ter no prato dele no jantar enquanto come o almoço. Bolsominions cagam pra fascismo, mas a estratégia é cutucar pontos que o Bolsonaro não resolveu na vida deles.
É claro que isso não impede ninguém de combater frontal e abertamente o fascismo, mas vamos nos lembrar que, se tem tanta gente estudada que não sabe o que é fascismo, imagina quem não teve acesso à educação ou que está mais preocupada com o que vai comer naquele dia, em arranjar um trabalho o quanto antes, no preço do busão etc.
Pais de amigos meus viveram na época da ditadura e dizem que não acharam nada ruim, mas atentem-se: eles não concordam nem com uma vírgula do que os militares faziam e defendiam, eles eram apenas pessoas pobres e sem estudo, que, de alguma forma, tinha seu emprego garantido na linha de produção da fábrica e não tinha interesse em liberdade de expressão, porque não tinham nada a falar; não tinham interesse em socialismo x liberalismo, porque não tinham o que questionar enquanto o pão estivesse chegando à mesa deles.
Minha mãe foi muito pobre quando criança no Nordeste, de a minha vó mandar encher o bucho de água pra não sentir fome na hora de dormir. Ela diz que na época da ditadura, a fome era uma preocupação maior para a família dela do que ideologias políticas. Como é que uma pessoa dessas vai saber o que é fascismo?
"Ah, mas pobre vota no Lula!" Não. Em 2018, tivemos o fenômeno "Lulonaro", em que pobres, se não tivessem acesso a renda, queriam, pelo menos, não morrer de bala de bandido, coisa que o marmita de miliciano dizia que iria combater. Para essas pessoas, o caminho mais curto para convencê-las a não dar trela pro Bolsonaro é apontar os problemas palpáveis na vida delas, coisas que o Bolsonaro não resolveu. Nada impede que elas sejam esclarecidas quanto ao fascismo nesse ínterim, mas a porta de entrada é a conscientização de que o presidente que elas elegeram não resolveu o problema delas.
Isso vale, também, para os privilegiados de classe média e alta, que estão cagando pra fascismo, mesmo sabendo o que é. Nunca vamos convencê-los de que o Bolsonaro é fascista e que isso é ruim, mas a pequena fissura que podemos aproveitar pra rachar e estourar o dique é aquilo que o Bolsonaro prometeu mudar na vida deles e não mudou. Não conseguiu emprego? Culpa do Bolsonaro. Ainda tem tiroteio no seu bairro? Culpa do Bolsonaro. A milícia domina o seu bairro? Haha, sério? Culpa do marmita de miliciano do Bolsonaro. Mas cuidado, porque eles estão preparados pra jogar a culpa toda no Congresso. Vamos lembrá-los de que o Bolsonaro fez parte daquilo por 30 anos, e que não era nenhum ingênuo pra não saber não convenceria o Congresso fazendo arminha de dedo. Ademais, tem coisa que não passa pelo Congresso, como o incentivo à milícia, negociação com bandidos condenados no Mensalão do PT (essa é um ponto nevrálgico pra eles), como Valdemar Costa Netto, Roberto Jefferson e Ciro Nogueira.
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